Ansiedade e Ataques de Pânico

Do estado de alerta à confiança no corpo

Por detrás de uma vida aparentemente organizada, existia um esforço constante para se manter funcional. O acompanhamento abriu espaço para compreender o que sustentava esse estado de alerta e começar a construir uma relação diferente consigo própria.

Contexto

Desde o ensino secundário convivia com ansiedade intensa, acompanhada por manifestações físicas como dores no peito, dormência, pontadas na cabeça e tensão constante. Qualquer situação fora da rotina era vivida com elevado stress.

O quotidiano organizava-se sobretudo em torno das tarefas e do desempenho académico, com uma necessidade permanente de antecipar, preparar e controlar aquilo que tinha pela frente, deixando pouco espaço para outras experiências. Nas relações, assumia frequentemente o papel de cuidar e proteger os outros, colocando o bem-estar deles à frente das próprias necessidades.

Apesar da medicação, sentia que nada se alterava de forma consistente. Chegou ao acompanhamento com uma crença muito presente: “Acho que ninguém me consegue ajudar. Acho que ninguém me vai conseguir perceber.”

Objetivos do Acompanhamento

Mais do que centrar o acompanhamento nos sintomas, precisava de um espaço seguro onde pudesse sentir-se escutada, recuperar confiança nas próprias respostas e desenvolver recursos para lidar com os momentos de maior ativação.

O acompanhamento teve como principais focos a autorregulação corporal, a redução da autoexigência e da necessidade de controlo, uma maior capacidade para lidar com o imprevisto, o estabelecimento de limites e a exploração progressiva de experiências anteriores relacionadas com a sintomatologia.

Abordagens e Recursos Utilizados

As diferentes dimensões do problema — corpo, medo, relações e rotina — foram sendo trabalhadas de forma articulada, de acordo com aquilo que se tornou relevante ao longo do acompanhamento.

O resultado

Cessação dos ataques de pânico

Ao longo do acompanhamento, não voltou a apresentar ataques de pânico e deixou de viver com o receio permanente de que uma nova crise pudesse surgir a qualquer momento.

Menos antecipação e controlo

Já não precisava de antecipar testes, trabalhos, apresentações ou exames com grande antecedência, nem de ocupar sistematicamente o tempo livre a estudar para sentir que estava segura.

Mais espaço para viver

Começou a sair mais, a socializar e a permitir-se fazer outras coisas sem sentir culpa ou a sensação de que deveria estar a produzir, estudar ou cumprir alguma tarefa. Começou a planear pequenas viagens e a sair com mais frequência, mesmo durante o período letivo.

Sono autónomo e tranquilo

Deixou de precisar de ter alguém consigo durante a noite e passou a dormir com a luz apagada. O sono tornou-se tranquilo e acordava com maior vitalidade.

Bons resultados com menos pressão

Manteve excelentes resultados académicos, mas deixou de depender da mesma pressão, antecipação e controlo para os alcançar.

Limites mais claros nas relações

Começou a estabelecer limites com os colegas, deixou de disponibilizar automaticamente os seus apontamentos e passou a criar relações que não dependiam apenas do que fazia ou oferecia aos outros.

Maior conforto com o corpo e a imagem

Deixou de vestir exclusivamente preto e azul-escuro e começou a usar cores, incluindo tons claros, sentindo-se à vontade com uma forma diferente de se mostrar e ocupar espaço.

Compreensão das experiências traumáticas

Reconheceu experiências traumáticas e respostas de medo, impotência e ameaça cuja origem até então não compreendia. Entre elas, identificou a morte súbita da mãe aos 7 anos e um luto não processado, a história da avó paterna, que morreu no parto após dar à luz o seu único filho, entre outros acontecimentos relevantes, passando a responder de forma diferente às sensações e estados que antes a dominavam.