Doença Oncológica

Do impacto do diagnóstico à força para atravessar o processo


Há momentos em que continuar não significa conseguir fazer tudo como antes. Significa reconhecer o que é essencial, preservar recursos e permitir-se receber apoio enquanto se atravessa o desconhecido.

Contexto

Estava prestes a iniciar o primeiro ciclo de quimioterapia, integrado num protocolo que incluía também radioterapia, cirurgia de remoção e possível reconstrução da mama.

Preocupava-a o impacto dos tratamentos no corpo e na vida quotidiana, nomeadamente as náuseas, a fadiga, o mal-estar físico e a perda de cabelo. Queria manter-se ativa e continuar a trabalhar durante o máximo de tempo possível.

Em paralelo, sentia uma forte responsabilidade pela irmã com esquizofrenia e receava não conseguir continuar a dar resposta a tudo durante o tratamento.

Objetivos do Acompanhamento

Mais do que acompanhar o impacto físico dos tratamentos, precisava de suporte continuado para atravessar esta fase preservando recursos, estabilidade emocional e capacidade de se manter ligada à sua vida.

O acompanhamento teve como principais focos apoiar a gestão dos efeitos secundários, reforçar recursos de autorregulação, preservar energia, trabalhar limites nas responsabilidades familiares e sustentar a autoestima e a autoimagem perante as alterações corporais.


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Abordagens e Recursos Utilizados

Perante um tratamento oncológico exigente, o acompanhamento foi orientado para responder ao impacto no corpo, na autoimagem e na organização familiar, articulando diferentes recursos em função do que cada fase ia exigindo.

O resultado

Atividade profissional mantida sem ausências

Não interrompeu a atividade profissional e não perdeu um único dia de trabalho ao longo do tratamento, mantendo uma função de liderança e a capacidade de coordenar uma equipa que dependia da sua presença, orientação e tomada de decisão.

Efeitos físicos muito inferiores ao esperado

As náuseas, a fadiga e o mal-estar foram muito menos intensos do que antecipava, não chegando a limitar significativamente o seu funcionamento diário nem a capacidade de continuar a trabalhar.

Alterações visíveis menos marcadas

A queda de cabelo foi pouco significativa e as alterações nas unhas, nomeadamente o escurecimento, foram ligeiras. Apesar de ter cortado o cabelo por recomendação, não ocorreu a perda acentuada que receava, permitindo-lhe manter uma relação positiva com a própria imagem.

Alegria e entusiasmo preservados

Apesar da exigência do tratamento, manteve a alegria, o entusiasmo pela vida e a disponibilidade para estar e relacionar-se com os outros, algo que receava poder perder ao longo deste processo.

Limites mais claros nas responsabilidades familiares

Percebeu que vivia em preocupação antecipada, assumindo como exclusivamente sua a responsabilidade pelo bem-estar da irmã. Passou a priorizar-se, a confiar na autonomia da irmã e nos recursos dos outros familiares, deixando de antecipar problemas e cuidados que não dependiam apenas dela.

Reorganização da vida conjugal e das prioridades

Passou a dar maior espaço à relação de casal e às suas próprias necessidades. Mudou de casa com o marido para o apartamento do casal, concretizando uma escolha mais alinhada com aquilo que passou a considerar prioritário para a sua vida.

Mais leveza e confiança nas próprias escolhas

Ao reconhecer com maior clareza as suas vontades e desejos, passou a sentir-se mais capaz e confiante para decidir por si. Começou também a incluir o descanso nos seus planos, a tirar férias e a reservar mais tempo para si, fazendo escolhas que antes tendia a adiar ou colocar em segundo plano.