FORMAÇÃO
O trauma não é apenas aquilo que acontece. É também aquilo que pode permanecer no organismo quando uma experiência ultrapassa, naquele momento, a capacidade de resposta e integração do sistema nervoso.
A formação dirige-se tanto a quem deseja compreender melhor o próprio sistema nervoso e os padrões de sobrevivência presentes no quotidiano como a profissionais da ajuda e facilitadores que procuram maior segurança na relação com situações de ativação. O corpo e o sistema nervoso tornam-se portas de entrada para compreender estas respostas, integrando Teoria Polivagal, funcionamento do nervo vago, mapeamento do Sistema Nervoso Autónomo e trabalho somático.
Ao reconhecer estados de sobrevivência e os sinais que os acompanham, desenvolvem-se recursos de autorregulação e corregulação que apoiam uma transição progressiva do sobreviver para um viver com maior presença, segurança e capacidade de escolha.
O que é o trauma
Compreensão do trauma como resposta fisiológica e interrupção do fluxo vital.
Tipos de trauma
Trauma agudo, de desenvolvimento, relacional e transgeracional e as particularidades que distinguem estas diferentes experiências.
Sinais e sintomas de trauma
Manifestações físicas, emocionais, relacionais e comportamentais que indicam a presença de estados de sobrevivência.
Teoria Polivagal e Sistema Nervoso Autónomo
Os diferentes estados autonómicos e a forma como o organismo organiza respostas de conexão, mobilização, proteção e imobilização.
O nervo vago
O seu papel na comunicação entre cérebro e corpo e na forma como o organismo responde à perceção de segurança e ameaça.
Mapeamento do Sistema Nervoso
Identificação dos padrões individuais de luta, fuga, congelamento e colapso e observação da forma como cada pessoa transita entre diferentes estados no quotidiano.
Trauma, cérebro e memória implícita
A relação entre Sistema Nervoso Central, respostas corporais e memórias que permanecem ativas sem depender de uma recordação consciente do acontecimento.
Corpo, memória e dimensão transgeracional
O corpo como lugar de registo da experiência e a exploração de padrões e memórias que atravessam gerações e encontram expressão na experiência presente.
Autorregulação e corregulação
Ferramentas práticas para restaurar segurança interna e capacidade relacional. Favorecem maior flexibilidade do sistema nervoso e capacidade de recuperar estabilidade, contacto e presença.
Trauma no trabalho com Constelações
Como reconhecer sinais de ativação durante o trabalho sistémico e compreender o lugar e a responsabilidade do facilitador perante respostas de sobrevivência.
Prevenção de retraumatização — quando avançar e quando parar
Sinais de alarme, limites da intervenção e critérios para reconhecer quando é necessário abrandar, interromper ou apoiar a estabilização do sistema, reduzindo o risco de retraumatização. .
Integração — dar continuidade ao que ficou interrompido
O trabalho somático como forma de apoiar a reorganização das respostas de defesa e favorecer progressivamente novas possibilidades para concluir movimentos interrompidos e restaurar fluxo.
Hipnorespiração e recursos somáticos
Técnicas respiratórias e corporais utilizadas para aprofundar a consciência interna e apoiar processos de regulação e integração.
Demonstrações e prática em grupo
Demonstrações, exercícios e prática em grupo que permitem observar o próprio sistema nervoso e experimentar diretamente os recursos trabalhados durante a formação.
É necessário ser profissional da área da ajuda para participar?
Não. A formação dirige-se também a quem deseja compreender melhor o próprio sistema nervoso.
As práticas procuram reviver experiências traumáticas?
Não. O objetivo é reconhecer estados de ativação, desenvolver recursos e respeitar a capacidade do sistema nervoso em cada momento.
É necessário falar sobre experiências traumáticas pessoais?
Não. O trabalho não exige exposição detalhada da história pessoal.
Esta formação habilita a trabalhar terapeuticamente com trauma?
Não. Não substitui formação profissional específica em intervenção terapêutica com trauma.
Ajuda a prevenir retraumatizações em contexto terapêutico ou sistémico?
Sim. Ao compreender o funcionamento do sistema nervoso e os seus sinais de alarme, o profissional ganha critérios claros sobre quando avançar, quando pausar e como apoiar processos com maior estabilidade.
Este conhecimento pode ser aplicado fora do contexto profissional?
Sim. A leitura do sistema nervoso amplia e muito, a consciência nas relações, na parentalidade, na comunicação e na gestão de situações desafiantes.